A democracia e a política na prática do trabalho

30 de setembro de 2011 Deixe um comentário
Os políticos nos representam?

Vivemos numa real democracia?

Quando se pensa em política, logo vem à cabeça os partidos políticos em época de campanha eleitoral, com os seus candidatos usando de promessas para convencer-nos de que são a melhor opção para a real democracia. Porém, a política toma outros sentidos quando nos deparamos com as contradições existentes no mundo do trabalho.

Hoje, no Estado do Paraná, os servidores da secretaria de saúde estão mobilizados politicamente, para mudar práticas que não atendem o interesse da classe trabalhadora e nem o da população usuária do Sistema Único de Saúde. Os problemas vão desde a falta de equipamento de proteção individual (os EPI), como também a falta de funcionários em setores específicos, escalas de trabalho não condizente com a exigência do serviço, chefias incompetentes e mesmo autoritárias, servidores que prestaram concurso para uma determinada vaga e agora são obrigados a trabalharem em outra diferente, falta de recursos para compra de insumos básicos para o atendimento à população e uma visível terceirização de um serviço que deveria ser público e para o público.

As forças políticas que estão por trás dos interesses contrários a consolidação de um sistema público de saúde eficiente, democrático e resolutivo são muito fortes. São empresários que financiaram campanhas políticas, e agora voltam cobrando a fatura que – para eles – lhes é devida. A democracia brasileira tem um vício pernicioso que ronda todas as esferas de governo. Quem financia a campanha de determinado candidato são empresários que buscam benefícios próprios. No final das contas, quem está chefiando a prefeitura, o governo estadual e federal são, na verdade, meros agentes destes que financiaram a campanha. Ou seja, não representa – de fato – a população que os elegeu.

Voltando a falar da secretaria de saúde do Estado do Paraná: O Hospital Infantil de Campo Largo é um exemplo de terceirização da gestão que se deu através de um convênio (056/2009) que foi publicado no Diário Oficial do Estado no dia 14/12/2009 que na prática entregou a direção técnica, administrativa para uma entidade filantrópica (depois escrevo mais sobre meu entendimento da filantropia), à Fundação Raul Carneiro/Hospital Pequeno Príncipe com a desculpa de auxílio na implantação e desenvolvimento das ações do Hospital Infantil de Campo Largo. Isto é uma grande balela, o Estado tem estrutura para dirigir suas próprias unidades hospitalares e NÃO precisa de auxílio de uma entidade privada. Lá atrás o que aconteceu foi uma história um pouco menos nobre, num acerto de compadres, o então governador Requião, exigiu a participação desta fundação na gestão do hospital.

É importante destacar o seguinte: o Estado do Paraná, através dos impostos pagos por todos nós, financia o hospital, compra os materiais necessários para a assistência à saúde, convoca servidores públicos para trabalhar e… entrega a direção para uma entidade privada. Não é estranho?

Uma outra coisa que acontece no hospital é a baixa complexidade nos seus atendimentos. Tenho certeza que não há nenhum interesse da Fundação Raul Carneiro/Hospital Pequeno Príncipe para que a complexidade do Hospital Infantil de Campo Largo seja aumentada. O hospital continua atendendo com a emergência fechada, casos eletivos, procedimentos de baixa complexidade. É importante entender que esta mesma fundação tem outro hospital privado que atende alta complexidade. Portanto não há interesse de fornecer apoio para que um hospital do governo concorra junto.

Chega de inocência, há interesses financeiros que impede o completo funcionamento do Hospital Infantil Waldemar Monastier. Não é lucrativo ter um hospital 100% SUS, com gestão 100% pública. É importante mantê-lo como um hospital reserva, para aqueles pacientes que não são lucrativos, que não têm uma AIH atraente.

Servidores na Luta

Mobilização dos Servidores no Hospital Infantil de Campo Largo

Mas agora, os servidores do Hospital Infantil de Campo Largo, estão começando a fazer as conexões. O véu está caindo e está deixando o governo Beto Richa nu. Não queremos mais o Convênio, pois além de tudo, fere os princípios do Sistema Único de Saúde que também tem como premissa o controle social.

A política se faz através da ação de cada cidadão, que ao cumprir seus deveres, também exige os seus direitos!

Servidores na Luta

Assembléia dos Servidores do Hospital Regional Infantil - Campo Largo

Saudades literárias

30 de novembro de 2010 1 comentário

Cada livro é uma saudade

Toda vez que termino um livro, um sentimento de saudade me invade. Parece que tudo aquilo vivido durante a leitura: histórias, personagens, enredo. Tudo isso de alguma forma fazia parte de mim.

Acho que é esta saudade abstrata, intocável que move a literatura, o prazer melancólico da última página.

Na verdade minha saudade chega um pouco antes, quando leio o autor, inexoravelmente, chegando ao fim. A arte imita a vida, então o fim é a parte integrante da obra. Mas a sensação de que deveria ser infinita persiste.

Um livro só vale a pena se lido por inteiro. Sou contrário aqueles que leem partes de um livro, pois mutilam a obra, quebram a ideia, interrompem o autor – e isso já seria uma tremenda falta de educação. Por ler apenas algumas partes de um livro, que a Bíblia é muito mal interpretada.

A última página de um livro também me enche de inveja. Morreria para ver um livro meu, com ideias organizadas, enredo perfeito, final digno de um Dostoiévski. Talvez seja esta inveja que faz o leitor insaciável. Busca na obra de outros, seu desejo reprimido, um desejo literário.

Mas é o sentimento de saudade que me incomoda, pois mesmo que lesse novamente o livro, já não seria a mesma coisa, as cenas seriam enfadonhas, as falas repetitivas, os personagens, uns chatos. A vida só tem graça se vivida uma vez, um livro só vale a pena, se uma vez lido, me trouxer saudades.

CategoriasUncategorized Tags:

A questão do aborto no debate eleitoral

10 de outubro de 2010 Deixe um comentário

Simplificar o tema é burrice

Na reta final do segundo turno, o PSDB irá realizar uma verdadeira cruzada religiosa contra o PT. O fato que poucos se atentam é que o PT foi 8 anos governo e a questão do aborto não teve uma tentativa sequer de mudanças. Dentro do próprio PT – que advém de um sindicalismo ligado às entidades clericais de base católica – existem inúmeros religiosos convictos que se oporiam a qualquer projeto a favor do aborto por outros motivos que vão além do permitido em lei.
Outro fator que o PSDB esquece de dizer: uma mudança deste nível tem que passar pelo crivo do nosso Congresso Nacional, com uma expressiva bancada cristã. E o Supremo Tribunal Federal poderia questionar a constitucionalidade desta lei.

No Brasil temos a falta crônica de educação política. A população é, na maioria das vezes, convencida por políticos em época de campanha, por promessas que ofendem o ordenamento jurídico, plausibilidade econômica e política do país.
Precisamos que a política e economia seja discutida, de fato, na escola, a partir da quinta série. Temos crise de cidadania, daí, boatos moralistas como este, uma falsa dicotomia entre o bem X mal

CategoriasUncategorized

O tal do tédio

18 de setembro de 2010 Deixe um comentário

Ô palavrinha morta, este tal de tédio. Quando falta coisas interessantes para fazer, que estimulam a vivência, interação e sobram repetições, rotinas diárias e muitas vezes a solidão.

Não que não tenha-se nada para fazer, mas o tudo que se tem não é minimamente interessante. O tédio é uma depressão fugaz, mas inebriante.

CategoriasUncategorized

Leito de UTI

17 de agosto de 2010 2 comentários

Uma vida conectada num emaranhados de fios.

- Piii – dois segundos – piii – mais dois segundos, o equipamento cumpre bem sua função: avisa mudança nos parâmetros vitais.

Ele lá, numa cama desconhecida, cheiros desconhecidos, dores novas e velhas, pessoas que o invadem e decidem por ele. Uma situação verdadeiramente kafkaniana.

Quanta vida ali ociosa, memórias que podem se apagar, imagens desconexas sob efeitos dos entorpecentes. Dia e noite perdidos na percepção das luzes brancas e frias no teto. Aquele parafuso, aquela ferrugem, a voz de alguém.

Não há trilha sonora, além dos bips, das pessoas de roupa estranha, da conversa alheia a ele.

A lucidez fugaz chegou. Pensa agora assim: “Ignoram o que eu fui, o que eu queria ser. Minha vida lá fora… “

Vida, aliás, vida que toma uma definição diferente aqui. São os exames, padrões, parâmetros, imagens e tubos que agora o definem. Para ele são apenas dores, sono, confusão e solidão. Uma angústia impotente, um desejo de sair logo, se levantar, ficar bom.

Bom é diferente de Bem, como mau e mal oras. Não era verdadeiramente bom? Seria ali uma expiação exagerada de uma vida imprudente?

Visitas regradas, desconhecidos questionando, o barulho de tudo e o maldito silêncio da incapacidade! Vira a cabeça e vê outro deitado.

Logo vem o sono, corpo imóvel, o rabecão, papelada para preencher. Uma vaga livre, outro ali, ocupando um número. Raciocínio interrompido novamente:

- Piii – dois segundos – piii – mais dois segundos…

Meu palpite sobre o desemprego na enfermagem

21 de julho de 2010 1 comentário

Sobre o desemprego na enfermagem

Não vou me aprofundar muito:

No Brasil, principalmente na era FHC, houve uma desregulamentação para a abertura de faculdades. Pela lógica neoliberal, não interessava se o mercado de trabalho iria absorver o contingente de mão de obra egressa das faculdades privadas (muitas beeem privadas mesmo!), visto que a seleção se daria pela empregabilidade de cada um (termo forjado dentro da lógica do capital para jogar a responsabilidade do desemprego no desempregado).
O que vemos hoje é um monte de fábricas de diploma (técnico, graduação e pós-graduação) que foram permitidos abrir seus cursos sem nenhum planejamento estratégico. Ou seja, não atende as reais necessidades de mão-de-obra da sociedade.
Se por um lado o Coren, de uma forma geral, não fiscaliza hospitais para exigir equipe mínima de enfermagem conforme a legislação vigente, por outro lado há um excesso de contingente – mão-de-obra ociosa – esperando ter uma oportunidade, mesmo que provisória.
A classe de enfermagem é desunida (fruto da despolitização e individualismo contemporâneo). Sendo desunida não avança muito em conquistas no mundo do trabalho.

O resultado disto é o pagamento de salários indignos, condições de trabalho precárias, jornadas exaustivas. Infelizmente as reclamações ficam perdidas nos corredores de hospitais!
Aqueles que estão empregados temem por seus empregos, sabem que existe muitos que pegariam o seu lugar.

O concurso público pode ser uma saída, mas já viram alguns salários que estão sendo oferecidos?

Segundo o DIEESE o salário mínimo necessário no mês de junho, de acordo com o preceito constitucional capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social , seria de R$ 2.092,36.

Pois bem, quem ganha isto na enfermagem? Eu ganho mais até, porque sou servidor público no Paraná, e aqui se ganha um salário um pouco maior. Porém vejo meus colegas ralando em dois empregos para ganhar o que eu ganho. Isto não é nada justo.

Resumindo, em muitos concursos, o próprio Estado (município, governo estadual ou federal), desrespeita a Constituição quanto a oferta salarial. Isso é uma vergonha.

Outra coisa que os enfermeiros fazem confusão: COREN é um órgão fiscalizador e normativo. Não é representante de classe! Quem representa a classe em questões de relações de trabalho são sindicatos e associações. Se o seu sindicato não é combativo, forme uma chapa e entre na luta!

Resumo de minha monografia na graduação

13 de julho de 2010 Deixe um comentário

Resumo de minha monografia apresentada na Universidade Federal do Paraná.

FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE: DESAFIOS PARA A
OPERACIONALIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

As mudanças do modelo de atenção à saúde no Brasil requerem profissionais que tenham uma preparação adequada frente aos novos desafios impostos. Este estudo foi realizado em três unidades de saúde da família na cidade de Curitiba-PR com doze profissionais de saúde (enfermeiros, médicos e odontólogos), objetivou-se investigar as contribuições da graduação para a prática profissional no SUS dentro do contexto da Estratégia Saúde da Família e identificar as facilidades e dificuldades apontadas pelos profissionais de saúde atuantes na Estratégia de Saúde da Família, na operacionalização dos princípios preconizados nesta estratégia. A metodologia utilizada foi a abordagem qualitativa do tipo descritiva. Os profissionais foram questionados sobre sua compreensão do modelo de atenção a saúde, saúde da família, dificuldades e facilidades encontrada na prática diária e foi requisitado sugestões para os currículos dos cursos de graduação na temática saúde da família. Os resultados apontam que há necessidade de uma maior fundamentação teórica dos profissionais de saúde para subsidiar seu processo de trabalho. Estes profissionais colocam que o egresso da área da saúde não está preparado para enfrentar as contradições inerentes da prática na ESF. Concluiu-se que a capacitação dos profissionais envolvidos com a ESF de maneira crítico-reflexiva é preponderante para a mudança na abordagem à saúde no Brasil e não deve estar a mercê das reformas de estado.

Palavras-chave: saúde da família; recursos humanos em saúde;

ensino crítico-reflexivo.



CategoriasUncategorized Tags:,
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.